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Entre a cruz e a espada
2009-08-12 23:22O mundo até agora está assustado com o acidente de Felipe Massa no treino classificatório do GP da Hungria. Ninguém poderia imaginar tamanho infortúnio com o brilhante piloto brasileiro. Ser acertado por uma mola no meio do circuito é uma chance em milhares, quem sabe milhões. Mas, todos torcemos para que Massa se recupere logo e continue seu trabalho na F1.
Mas não é sobre ele que venho falar neste artigo. É sobre a consequência do acidente de Massa. O alvoroço que passou pelo mundo nas últimas duas semanas. Um pequeno detalhe estrategicamente negociado pela Ferrari que atende por duas palavras: Michael Schumacher.
O mundo da F1 foi pego de surpresa ao saber do anúncio do retorno às pistas do lendário piloto alemão, sete vezes campeão mundial (2 vezes pela extinta Benneton e 5 vezes defendendo o vermelho de Maranello). Pilotos, ex-pilotos, pessoas ligadas à categoria, políticos, enfim: todos deram suas opiniões sobre a volta do alemão às pistas. Alguns rejeitaram de cara, achando que era apenas jogada de marketing da Ferrari. Mas algo era inevitável de se negar: Schumacher traria novamente a emoção que a F1 está precisando nesses tempos de crise.

Todavia, da mesma forma que fomos pegos de surpresa no retorno do alemão às pistas, essa semana a euforia teve um fim prematuro. Schumacher anunciou pelo seu site oficial que havia desistido de substituir Felipe Massa no cockpit da Ferrari. A notícia repercutiu novamente, e com mais intensidade do que a sua antecessora. Será que Shumacher não aguentaria a pressão? Será que era por causa da idade? A FIA agiu contra o seu retorno? Várias possibilidades, vários pontos de vista. Mas nenhum que realmente prove o verdadeiro motivo dessa desistência.
De algo não podemos negar: Schumacher é um gênio. E mais: ama o automobilismo. Ama o que faz. Para se ter ideia do quanto Schumacher se esforçou para tentar retomar a rotina de competições da F1, ele chegou a treinar oito (eu disse oito!) horas ininterruptas no simulador estático da Ferrari. Oito horas. Isso é sobrehumano. É algo que poucos conseguem fazer. E Schumacher fez.
Porém, outros fatores podem ter pesado em sua decisão. A pressão é um deles. O alemão nega, mas foi indiscutivelmente algo pesado na balança. Se Schumacher fosse muito bem no primeiro GP (o de Valencia, a ser disputado esse final de semana), pontuasse ou chegasse a subir no pódio, a euforia da torcida aumentaria e as apostas seriam a de que ele ainda teria chances de ser campeão. Se ele fosse muito mal, não pontuando ou desistindo do GP, a decepção da torcida seria algo monstruoso. Não é fácil lidar com um ídolo em decadência. O baque seria muito forte. E mancharia a vitoriosa e fantástica história de Michael Schumacher na F1. Quando se trata desse cidadão, não existe meio termo: ou é 8 ou é 80.
Portanto, considero correta a postura de Schumacher e apoio sua decisão de não substituir Massa na F1. Seu motivo alegado foi a falta de preparo físico ideal, que é algo muito plausível (imagine dirigir um carro a mais de 300 km/h por volta de 1h30 em um cockpit apertado e quente), e uma lesão no pescoço, proveniente de um acidente de moto no começo do ano. Contudo, tirando os fatos "oficiais", Schumacher, homem inteligente que o é, teve de tomar uma decisão muito difícil, ainda mais para alguém com tanto reconhecimento e identidade no esporte como ele.

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Ave Cesar!
2009-07-30 15:14Cesar Cielo Filho.
Eis um nome que irá ficar marcado na história do esporte brasileiro.
Único campeão olímpico da natação, nos 50m livre. E agora campeão mundial dos 100m livre, a prova mais tradicional da natação. De quebra, o recorde mundial. O primeiro atleta a nadar a prova abaixo de 47s.
Cesão, como é carinhosamente apelidado, chegou no balizamento com o rosto confiante. Confiante até demais para alguém que não era o favorito da prova. Na mesma piscina, nadariam os dois melhores atletas franceses: Alain Bernard, campeão olímpico e recordista mundial; e Frederick Bousquet, companheiro de treino de Cielo nos EUA, alguém que conhece o jeito de o brasileiro nadar.
Porém, com o porte de um imperador, soberano e temido, Cielo começa seu ritual. Vai até a beirada da piscina, molha o rosto. Bate com raiva nos músculos do peito como quem quer despertar uma fera adormecida. Olha para o céu. Levanta o dedo. O guerreiro está preparado.
Nadou como nunca. Venceu como sempre. Cielo fez a torcida brasileira arrepiar novamente como já havia feito ano passado, quando conquistou o ouro olímpico. Fez os franceses ficarem de queixo caído. O brasileiro é o homem mais veloz das piscinas.

Com o peito vermelho, comemorou como um gladiador que acabara de vencer mais uma disputa no Coliseum. Porém, no lugar da terra batida e dos leões ensanguentados, a água é o ambiente de consagração do guerreiro verde e amarelo. Seus braços não carregam espadas nem escudos. O lutador traz consigo a consagração da vitória. E, como os gladiadores, a consagração da história. Tão sonhada. Hoje realizada.
No pódio, ao receber os louros de sua conquista, o guerreiro mostrou porque é o melhor. Cumprimentou os atletas franceses derrotados por ele, evidenciando um lado competitivo e, principalmente, humano.
Quando o hino nacional começou a tocar, Cielo olhava atenciosamente a bandeira a ser hasteada. Parecia sereno. No meio do hino, no entanto, começou sua batalha mais difícil no dia: tentar conter a emoção. Não conseguiu. O herói brasileiro foi reverenciado pelos outros atletas e pelo público italiano. Todos começaram a aplaudí-lo de pé. E com razão. Até Michael Phelps, o maior nome da história das Olímpiadas, se rendeu ao talento do brasileiro. Ao ser questionado sobre sua decisão de não disputar os 100m livre, Phelps declarou: "Acabei de ver o César Cielo nadar e tive uma certeza: eu não ganharia esta prova de jeito nenhum."
Ave Cesar! O Imperador de Roma!
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Afirmação
2009-07-08 18:26Domingo, 05/07/2009.
Dia em que foi feito história.
Roger Federer vence Wimbledon pela sexta vez na carreira e conquista seu 15º Grand Slam.
Agora, indiscutivelmente, passou os números de todos os outros grandes tenistas.
Palco melhor não poderia ter sido escolhido: a quadra central do mais clássico torneio de tênis, Wimbledon.
O adversário era conhecido por ser freguês de carteirinha: Andy Roddick.
Porém, não foi assim tão fácil como se imaginava.
Cinco sets disputados. O último definido em 16-14 a favor do suíço (em Wimbledon, o quinto set não possui tie break).
Um jogaço.
Mais do que isso: uma afirmação.
Roger Federer provou que é o melhor de todos os tempos.

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Consagração
2009-06-07 19:27Quatro tentativas seguidas. Quatro fracassos seguidos. Algo que poderia desmotivar mesmo os mais talentosos. Por quatro anos seguidos, Roger Federer viu seu carrer slam (nome dado ao feito de conquistar os quatro grand slams do tênis) bater na trave. O suíço de 27 anos, pentacampeão de Wimbledon (2003-2007) e do US Open (2004-2008), e tricampeão do Australian Open (2004, 2006 e 2007) teve, finalmente, seu dia de glória na quadra Philippe Chatrier, palco da decisão do Grand Slam mais charmoso de todos: Roland Garros. Com a vitória de 3 sets a 0 (6-1, 7-6 e 6-4) obtida em cima do sueco Robin Soderling (número 25 do mundo), Roger Federer definitivamente escreveu seu nome na história. Conquistou um feito inédito, somente alcançado por cinco tenistas na história: Fred Perry, Don Budge, Rod Laver, Roy Emerson e Andre Agassi.

Jogando um tênis consistente, agressivo e eficiente, Federer não deu chances a Soderling, surpresa do campeonato. O nº 2 do mundo começou o jogo arrasador, dominando por completo o primeiro set, vencendo por 6-1. Já no segundo set, ambos os tenistas preferiram não se arriscar muito e o set foi definido apenas no tie break. Federer então deu uma aula em Soderling, aplicando três aces e não dando chances ao sueco quando este savaca. 7-1 no tie break e dois sets a zero na partida. Tudo se encaminhava para uma vitória tranquila de Federer.
No terceiro set, a história foi a mesma, com o suíço mantendo o total controle da partida. No total, Federer quebrou o saque de Soderling 3 vezes, duas no primeiro set e uma no último. Esta última quebra foi conquistada logo no primeiro game do terceiro set. Nem a chuva fina que começou a cair sobre a quadra central fez com que Federer perdesse o controle da partida. No último game, quando o suíço sacava em 5-4 para fechar a partida, a emoção pareceu tomar controle de Federer. Neste último game, o suíço cedeu sua única chance de quebra para Soderling, mas o sueco não soube aproveitá-la. No último ponto, com um primeiro serviço forte e bem aberto, Soderling acabou mandando a devolução na rede e fez o gigante suíço se ajoelhar de emoção no saibro da quadra Philippe Chatrier. A espera havia acabado. Federer era o campeão de Roland Garros.

Na cerimônia de entrega dos troféus, muita simpatia por parte de Soderling. O algoz de Nadal respeitou muito a vitória de Federer e se referiu ao suíço como o melhor tenista de todos os tempos. Soderling também comentou sobre a surpresa de ter conseguido alcançar sua primeira final de Grand Slam na carreira. “Foram as duas melhores semanas da minha carreira”, afirmou o sueco. A caminhada do sueco na atual edição de Roland Garros lembrou a de Gustavo Kuerten em 1997, quando conquistou a primeira de suas três taças no saibro francês. Guga também não era tão bem rankeado e, mesmo assim, conquistou o torneio, para a surpresa do mundo do esporte.
Para a entrega do troféu a Roger Federer, a organização do torneio francês caprichou. Trouxe o americano Andre Agassi, o último tenista a ter conseguido conquistar o carrer slam, feito que Federer acabou por consumar neste final de semana. Muito emocionado, o suíço agradeceu a presença de Agassi e ao apoio da torcida francesa, que o adotou após a eliminação dos tenistas franceses nas fases anteriores do torneio.

Roger Federer conseguiu também um feito que há muito tempo ele pretendia conquistar. Igualou a marca do americano Pete Sampras no número de conquistas de Grand Slam. São 14 conquistas para os dois tenistas, porém Federer já tem a chance de superar o americano no piso que o consagrou na história: na grama de Wimbledon, torneio que será realizado no fim deste mês. Federer também poderá conquistar o hexacampeonato seguido do US Open, caso vença o torneio, que é o último Grand Slam do calendário.
Roger Federer mostrou que, mesmo após sucessivos fracassos em Roland Garros (nas últimas quatro edições) e alguns tropeços nos dois últimos anos (perdeu o Australian Open de 2007 para o sérvio Novak Djokovic e perdeu, no ano passado, Roland Garros e Wimbledon para Rafael Nadal), além de ser um tenista fora de série, possui uma cabeça invejada por muitos. Conseguiu manter o foco, a garra e a força de vontade para superar esses fracassos. Sua recompensa por isso, e digo com a maior certeza: Roger Federer é o maior tenista de todos os tempos. E tem tudo para continuar a traçar sua brilhante carreira por mais algum tempo.

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Brasil, mostra sua cara!
2009-05-20 21:30Seriam apenas dois dias comuns na vida de qualquer um. Porém hoje, quarta-feira (20/05) e amanhã (21/05) são dois dias que marcarão os destinos do futebol no corrente ano de 2009. Seriam.
Quarta-feira à tarde, noite na Europa, começou a mostrar como seria o dia para o futebol brasileiro. Final da Copa da UEFA. Shakhtar Donetsk e Werder Bremen disputam na Turquia o segundo título mais importante do velho continente. Apesar de o jogo ser entre ucranianos e alemães, e ser disputado em território turco, quem deu o tom da partida foram os brasileiros.


No tempo normal de jogo, Luiz Adriano (ex-Internacional) e Naldo determinaram o placar na partida. Porém, aos que pensavam que a partida iria para os penaltis, um outro brasileiro deu ponto final à Copa UEFA em favor dos ucranianos. Um marco no futebol europeu. Pela primeira vez, um time vindo da Ucrânia, que obteve sua independência em 1991, conseguiu ser campeão de um torneio europeu. E o nome desse brasileiro que deu o título ao time laranja de Donetsk: Jadson (ex-Atlético Paranaense).

Jadson comemora gol do título do Shakhtar Donetsk com Ilsinho ao fundo
Tirando os três brasileiros já citados (Luiz Adriano e Jadson, pelo Shakhtar; e Naldo, pelo Werder Bremen), mais três brasileiros participaram da final da Copa da UEFA. Todos pelo lado do Shakhtar. Ilsinho (ex-São Paulo), Fernandinho (ex-Atlético Paranaense) e Wiliam (ex-Corinthians). Ao todo, seis brasileiros em campo, seis personagens que mudaram a história da partida em Istambul.
E não é só isso que movimentará e definirá algumas bases do futebol brasileiro. Agora, daqui a pouco, começam as quartas-de-final da Copa do Brasil. O Coritiba, no ano de seu centenário, já garantiu vaga nas semifinais. Outros três jogos movimentam a rodada na mais democrática competição de futebol do Brasil. Meus palpites: Vasco, Corinthians e Internacional passarão por Vitória, Fluminense e Flamengo, respectivamente. Vamos ver, amanhã, se acertarei.
Amanhã, o principal evento da seleção brasileira começa a ser definido. Dunga convocará os jogadores que irão disputar a Copa das Confederações, na África do Sul. Teremos algumas definições de qual será a base da seleção para 2010? Teremos surpresas? Será que, enfim, o previsível treinador da seleção arrumará algumas surpresas para debatermos durante o resto da semana? Veremos.
Uma coisa é certa: o ano do futebol brasileiro começa em definitivo agora. E começa pegando fogo.
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Post scriptum 2
2009-05-11 21:53Já é a segunda vez que publico um post scriptum (o popular p.s.) neste blog. O da última vez rendeu um texto, mas o de agora será só para complementar o post "Gripe suína + futebol = novela mexicana".
Um novo capítulo foi escrito hoje (11/05). A Conmebol tentou, insistiu, mas os mexicanos mantiveram sua decisão de sair da Libertadores.
A Conmebol, então, confirmou São Paulo e Nacional-URU nas quartas-de-final da Libertadores.
Mas algo me diz que essa novela mexicana ainda não terminou.
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Jogão no Mineirão
2009-05-10 22:09O jogo entre Cruzeiro e Flamengo já demonstrou qual será a expectativa para essa edição do Brasileirão: serão sete meses de um campeonato disputadíssimo e cheio de emoção para o torcedor brasileiro. Em um ótimo jogo, com direito a expulsão e dois pênaltis, a Raposa venceu o rubro-negro por 2x0 e começa a semana bem. Já para a torcida flamenguista, a semana começa apreensiva, tendo em vista que o Flamengo pela ninguém mais ninguém menos que o Internacional, pelas quartas-de-final da Copa do Brasil.
Desde o começo do jogo, o estilo de jogar bem ofensivo das duas equipes mostrava que o jogo iria pegar fogo. Muitas jogadas de ataques de ambos os lados, porém com o Cruzeiro dominando o meio-campo, deixando ao Flamengo apenas as jogadas de contra-ataque.
Porém, aos 14 minutos do 1º tempo, o lance que mudou a cara do jogo. Ibson cobra escanteio, a bola chega à cabeça de Emerson, que finaliza para o gol do Cruzeiro. A bola ainda estava no ar quando o lateral cruzeirense Jancarlos, ao tentar rebatê-la para fora da área, acaba batendo com o braço na pelota. Pênalti, com direito à expulsão de Jancarlos (que na minha opinião, foi exacerbada). O jogo poderia ficar muito ruim para o time celeste. Poderia, pois Juan cobrou mal o pênalti e Fabio evitou o primeiro gol rubro-negro.
Após o pênalti, os papéis se inverteram no Mineirão. O Flamengo, com um homem a mais, começou a dominar o jogo, aumentou o tempo de posse de bola e deixou o Cruzeiro apenas com os contra-ataques. Adilson Batista, por conta da expulsão de Jancarlos, teve que realizar sua primeira substituição: saiu o atacante Thiago Ribeiro e foi para campo o volante Fabricio.
E foi em uma jogada de contra-ataque que surgiu o primeiro gol cruzeirense. Wagner recebeu lançamento pela direita do ataque celeste e, ao entrar na área, foi derrubado por Juan. Pênalti bem convertido por Kleber, abrindo o placar a favor do Cruzeiro.

Kleber e Ramires: os dois personagens principais da partida entre Cruzeiro x Flamengo pela 1ª rodada do Brasileirão 2009
Após o gol, o Cruzeiro ficou mais tranquilo, enquanto o desespero tomou conta do time do Flamengo, que buscava incessantemente o gol de empate. O time celeste saia muito bem nos contra-ataques e tocava bem a bola, ao mesmo tempo em que conseguia conter o ímpeto do ataque rubro-negro.
O segundo tempo começou com a mesma tocada do primeiro. O Flamengo indo para cima do Cruzeiro, buscando o gol de empate, pois possuía a vantagem numérica em campo. Porém, o rubro-negro abusava dos erros de finalização, o que aumentava a emoção do jogo. Cuca, então, resolve substituir atacante por atacante, tirando Emerson e colocando Josiel, esperando que este resolvesse o jogo em favor do Flamengo.
Adilson Batista, então, resolve retrancar ainda mais a equipe celeste, tirando seu único atacante em campo, Kleber, e colocando o volante Elicarlos. Começa então um bombardeio do ataque rubro-negro em cima da defesa celeste. Cuca ainda tira o zagueiro Airton e coloca o meia Erick Flores, esperando furar a retranca cruzeirense.
Porém, Adilson Batista acertou em apostar nos contra-ataques. Foi em um deles que Ramires, que jogava como um dos homens mais avançados do Cruzeiro, ao lado de Marquinhos Paraná e de Athirson (que entrou no lugar de Wagner), recebeu um lançamento, driblou com categoria dois defensores do Flamengo e chutou rasteiro no canto de Bruno, sacramentando a vitória cruzeirense.
O Cruzeiro demonstrou, principalmente após a expulsão de Jancarlos, uma boa colocação em campo, sacrificando seu ataque em prol da defesa, que parou o ataque rubro-negro em vários lances. Já o Flamengo, que detinha a superioridade numérica desde os 14 minutos do 1º tempo, mostrou que precisa fazer durante a semana vários treinamentos de finalização, pois oportunidades não faltaram no jogo para tentar empatar e, quem sabe, virar o jogo.
É isso aí, caro leitor. O Campeonato Brasileiro 2009 começou a todo vapor. Serão 380 jogos de muita emoção e, espero eu, de muito bom futebol!
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Gripe suína + futebol = novela mexicana
2009-05-09 20:29Além de vir assombrando o mundo recentemente, a gripe suína também acabou causando uma reviravolta no futebol sul-americano.
Toda a polêmica começou com a carta enviada à Conmebol pelo presidente do São Paulo F.C., Juvenal Juvêncio, pedindo a mudança de local do jogo entre o Tricolor e o Chivas Guadalajara, por conta do surto da gripe suína, cujo foco principal é no território mexicano. A Conmebol, então, decidiu que a vaga para as quartas-de-final envolvendo os dois times mexicanos (São Paulo x Chivas e Nacional-URU x San Luís) seria disputada em um jogo único, a ser disputado na casa dos adversários dos clubes mexicanos. Tal atitude acabou por deflagrar uma onda de indignação na Federação Mexicana de Futebol que havia avisado que, se tal medida fosse tomada, os clubes mexicanos sairiam da Libertadores. E foi o que aconteceu.
Como toda boa novela mexicana, a história não acaba por aí. Hoje de manhã, ao entrar na internet, vejo que muita água ainda irá rolar por debaixo da ponte. Em uma decisão no mínimo bombástica, a Federação Mexicana de Futebol anunciou que não participará mais de nenhum torneio de futebol na América do Sul.
Em primeiro lugar, eu nunca fui a favor de clubes mexicanos disputarem a Libertadores da América e a Copa Sul-Americana. Está no cerne de ambas as competições privilegiar clubes sul-americanos. Mas parece que alguém na Conmebol faltou algumas aulas de Geografia e incluiu o México, que fica na América Central, a vir disputar os torneios cá embaixo.
Mas aí vem algumas pessoas e dizem: mas você está sendo muito insensível com a situação! Os clubes mexicanos são mais competitivos, trarão mais emoção às competições aqui na América do Sul! Minha resposta para isso: balela. Sabe por que? Porque a Conmebol está muito bem acomodada com toda essa situação. Chama os mexicanos para virem disputar torneios aqui, ganha dinheiro com isso e esbraveja para o mundo todo que a Libertadores é igualmente grande em status e qualidade que a UEFA Champions League. E todos esquecem de um pequeno detalhe: caso algum clube mexicano ganhe a Libertadores, ele não vai disputar o Mundial! Quem iria, nesse caso, seria o vice-campeão! É uma falta de vergonha na cara e um desrespeito ao amante do bom futebol. E uma falta de respeito aos clubes mexicanos, que vem disputar o torneio como meros animadores de platéia.
Porém, minha maior pergunta é: por que a Concacaf, que organiza os torneios de futebol nas Américas Central e Norte, não pensou em usar este artifício da maior competitividade dos clubes mexicanos para trazer mais emoção para o torneio intercontinental deles? Aproveitariam que o futebol vem a cada ano crescendo nos Estados Unidos e ganhando o status que o basquete e o futebol americano já possuem. Aproveitariam que os clubes da América Central sempre pintam como zebras e adoram pregar peças nos times norte-americanos.
O que vemos aqui, caro leitor, é uma completa falta de qualidade na administração das Confederações de Futebol na América. E uma dupla falta de seriedade. Por parte da Conmebol, por faltar com o respeito aos clubes mexicanos, que na minha opinião nunca deveriam ter aceito o convite de disputar torneios na América do Sul. E uma falta de competência da Concacaf, por perder essa grande oportunidade de ganhar um status nunca antes visto em torneios realizados por ela.
Resta agora saber como terminará a novela entre México e Conmebol. Aguarde os próximos capítulos.
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Do Oiapoque ao Chuí - parte II
2009-04-29 18:37Continuando o post de ontem sobre a semana decisiva, falarei sobre os estaduais que faltavam e também sobre as outras competições que seguirão até o fim deste primeiro semestre.
Rio de Janeiro
Pelo terceiro ano consecutivo, a final do Carioca é disputada entre flamenguistas e botafoguenses. Até agora, só deu Flamengo, batendo nos dois últimos anos o time que era comandado por Cuca, atual comandante rubro-negro. No primeiro jogo, o resultado que mais vem se repetindo entre os dois times: empate. Um 2x2 para elevar mais a tensão para o jogo de domingo. Sendo assim, quem vencer o segundo jogo levantará a taça de campeão carioca.
São Paulo
Na terra da garoa, final entre alvinegros. No entanto, no primeiro jogo entre Santos e Corinthians, a bola foi de uma pessoa só. Se é que se pode chamá-lo de humano: Ronaldo. Discreto durante todo a partida, foi frio e matador na hora em que se precisou dele. Melhor para o Timão, que agora pode perder por até dois gols de diferença que leva mais um Paulistão para o Parque São Jorge. Para o Santos, a má atuação de Kléber Pereira e de Fábio Costa contribuiu e muito para o revés no primeiro jogo da final. Para conseguir alcançar seu objetivo de fazer 3x0 no Corinthians, o Peixe vai precisar e muito do trabalho de motivação, sempre muito bem feito por Vagner Mancini.
Santa Catarina
Nem Figueirense, nem Criciúma. O Catarinense está sendo decidido entre Avaí e o surpreendente Chapecoense. E coloque surpreendente nisso. No primeiro jogo da final, o time da cidade de Chapecó venceu o time do ex-tenista Guga por 3x1 e saiu na frente na decisão do estadual. Para o Avaí, que fará o segundo jogo em casa, uma vitória por dois gols de diferença dá o caneco para o time azul e branco.
Libertadores
Hoje (quarta-feira) à noite, serão definidos os classificados de mais alguns grupos. E um deles em especial chama a atenção, pois é o mais equilibrado de todos. O grupo 1, onde estão Sport, Palmeiras, Colo-Colo e a já eliminada LDU, tem sua rodada final com um jogo eletrizante. Colo-Colo e Palmeiras disputam a segunda vaga do grupo, já que o Sport, que vai até Quito enfrentar a LDU, já está classificado para as oitavas-de-final. Para o Palmeiras, só a vitória interessa. Um adendo sobre brasileiros na Libertadores é a expressiva classificação do Grêmio com a melhor campanha entre todos os times. O grupo do Grêmio também não era assim tão assustador, mas isso mostra que o time já esqueceu a desclassificação no campeonato gaúcho. O tricolor chega às oitavas-de-final com 5 vitórias e 1 empate, o melhor ataque da competição (11 gols marcados) e a defesa menos vazada (apenas 1 gol sofrido).
Copa do Brasil
Começam hoje as partidas de ida das oitavas-de-final da competição mais democrática do Brasil. A noite está recheada: Americano x Ponte Preta, Vitória x Atlético-MG, Atlético-PR x Corinthians, Flamengo x Fortaleza, Náutico x Internacional e CSA-AL x Coritiba. Lembrando que agora não vale mais aquela regra da eliminação do segundo jogo caso o visitante vença por dois ou mais gols de diferença.
É isso. Uma boa semana a todos, com (muito) futebol de qualidade, e voltarei semana que vem com os campeões estaduais!
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Do Oiapoque ao Chuí - parte I
2009-04-27 20:17A semana que se segue será eletrizante nos 4 cantos do Brasil. Há duas semanas de se iniciar o Brasileirão em suas agora 4 divisões, o público conhecerá os campeões estaduais e, de quebra, acompanhar os outros clubes que não estão envolvidos em decisões nas disputas da Taça Libertadores e na Copa do Brasil.
Como este blog preza pela abordagem mais democrática possível, (tentarei) falar a respeito da maioria dos clubes em suas respectivas missões.
Vamos por ordem alfabética, para o leitor não se perder.
Bahia
Na terra de todos os santos, o clássico mais fervoroso do Nordeste decide o campeonato baiano. O último Ba-Vi em uma decisão havia sido há 3 anos atrás. E o Vitória saiu na frente na disputa com o Bahia. Neste domingo, uma vitória de 2x1 para cima dos tricolores, com direito a dois gols do veteranoi Ramon (é, aquele mesmo que passou pelo Vasco, Atlético-MG...). Agora, o rubro-negro comandado por Paulo Cesar Carpegiani precisa apenas de um empate para levantar o caneco mais uma vez. Para o Bahia, a missão é mais complicada. Precisa vencer o Leão por, no mínimo, dois gols de diferença e, assim, consolidar o começo de semestre e entrar embalado para a disputa da Série B.
Ceará
Como todo cearense é cabra macho, nada melhor do que um Fortaleza x Ceará para decidir o título estadual. No primeiro jogo, no entanto, o personagem principal não foi nenhuma das duas equipes, e sim o senhor Carlos Eugênio Simon e a sua desastrosa arbitragem no primeiro jogo da final. Errou feio pros dois lados. Validou o primeiro gol do Fortaleza, onde o atacante encontrava-se impedido. Todavia, o pior estava por vir. O árbitro brasileiro melhor rankeado no quadro da Fifa marcou um pênalti inexistente no atacante do Ceará. Porém, o leitor deve estar se perguntando: oras, mas isso acontece com qualquer árbitro. Porém, não fosse a tamanha inocência de Simon ao ver o atacante do Ceará tropeçar em suas próprias pernas e marcar a penalidade máxima, seria uma atitude cotidiana do futebol. Apesar disso, tivemos um jogo e o Fortaleza conseguiu marcar mais um gol, fechando o placar por 2x1. Agora, o Tricolor de Aço está a um empate do título estadual. Para o Ceará, uma vitória por 1x0 leva a decisão para os penaltis.
Distrito Federal
Aqui na capital federal, o enredo parece que não irá se mudar. Como há todo ano acontece, o Brasiliense está mais próximo do título. Na final contra o surpreendente Brasília, o Jacaré venceu por 2x1 fora de casa e agora precisa de um empate para se tornar, pelo 6º ano seguido, o campeão do DF. O Brasília, com vaga garantida na Série D deste ano, corre por fora para tentar confirmar o status de zebra do campeonato.
Goiás
Na terra do Periquito e do Tigre, quem parece estar mandando é o Dragão rubro-negro. No primeiro jogo da final do campeonato goiano, o Atlético venceu o Goiás por 2x1 e também está a um empate do título. Para o Goiás, uma simples vitória por 1x0 elimina as possibilidades de um tri-vice campeonato.
Minas Gerais
Parece brincadeira, mas não é. Novamente, como disse o colega Rodrigo em um de seus últimos posts, o Galo chegou fazendo barulho mas foi a Raposa quem continua cantando mais alto nas Minas Gerais. E, novamente, com uma sonora goleada de 5x0 no primeiro jogo da final. Há mais de 10 jogos que o Atlético não consegue vencer o Cruzeiro. Para tentar tirar o caneco do Cruzeiro, o Galo terá de vencer no mínimo pelo mesmo placar do primeiro jogo, pois tem a vantagem do empate em caso de dois resultados iguais.
Amanhã eu continuo contando a saga futebolística nos estados brasileiros.